Especialista do Sírio-Libanês revela que a escolha incorreta do calçado pode esconder armadilhas perigosas para suas articulações
A professora, administradora de empresas e corredora Thamis Eid Pessanha, de São José do Rio Preto (SP) corria há menos de um ano quando cometeu o erro que muitos iniciantes cometem: deixou a empolgação falar mais alto na hora de escolher o tênis para correr. Sem consultar ninguém e sem conhecer seu tipo de pisada, ela foi à loja, se apaixonou por um modelo e comprou.
As consequências vieram rápido. Dores no joelho que interromperam os treinos e trouxeram uma lição que ela carrega até hoje: tênis de corrida não é só questão de estilo.
Desde 2023 nas pistas, Thamis mudou completamente sua abordagem. Agora, antes de trocar de calçado, o que faz a cada seis meses, aproximadamente, ela pesquisa com cuidado: ouve indicações de conhecidos e profissionais, acompanha influenciadores do universo das corridas e analisa cada detalhe. “Nem sempre o mais caro é o melhor para o seu objetivo”, ela resume.
A experiência de Thamis não é exceção. É regra.

Por que o tênis importa muito mais do que você pensa
Cada passada numa corrida gera um impacto que começa nos pés e sobe pelo corpo: joelhos, quadris, coluna. O tênis é a primeira estrutura a absorver essa força, e a forma como ele faz isso pode ser a diferença entre um treino produtivo e uma lesão que te tira das ruas por semanas.
“O ser humano é ligado à estética, mas nem sempre o que é bonito é o mais fisiológico”, afirma Arnaldo Hernandez, ortopedista do Hospital Sírio-Libanês. “O calçado pode interferir na carga que chega às articulações. Se o corredor já tem algum problema prévio, essa escolha se torna ainda mais importante.”
Isso não significa que qualquer pessoa corre risco. Hernandez estima que cerca de 80% dos corredores estão dentro da normalidade biomecânica e se adaptam bem à maioria dos modelos disponíveis no mercado. O problema começa quando há alterações na pisada, ou quando o tênis escolhido ignora as características do pé de quem vai usá-lo.
Pisada pronada, supinada ou neutra: você sabe qual é a sua?
Entender seu tipo de pisada é o ponto de partida para qualquer escolha de calçado. Veja as diferenças:
Pé plano (pronado): O peso se distribui com mais intensidade na parte interna do pé, sobrecarregando o tornozelo e o tendão tibial posterior — estrutura responsável por sustentar o arco plantar.
Pisada supinada: O apoio se concentra na borda externa do pé, elevando o risco de lesões laterais.
Pisada neutra: Distribuição equilibrada, com menor risco de sobrecarga articular.
Não sabe qual é a sua? Um ortopedista, médico do esporte ou educador físico experiente consegue identificar isso em uma avaliação simples — e pode salvar seus treinos (e seus joelhos) no longo prazo.
As lesões mais comuns em quem escolha mal o tênis
De acordo com Hernandez, três condições aparecem com frequência entre corredores que ignoram a compatibilidade do calçado com sua pisada:
Fascite plantar: inflamação na faixa de tecido que vai do calcanhar até os dedos. Para esse caso, um solado mais rígido pode proteger a estrutura ao limitar movimentos excessivos.
Tendinite do calcâneo: afeta o tendão de Aquiles. Um modelo com a parte traseira levemente elevada pode ajudar a reduzir a tensão nessa região.
Sesamoidite: inflamação nos pequenos ossos localizados sob o dedão, que auxiliam no impulso do passo. Assim como na fascite, um solado mais firme costuma ser indicado.
“O tênis é a interface entre o corpo e o chão. Escolher bem é uma forma de preservar as articulações e garantir continuidade na prática esportiva”, resume o ortopedista.
Quando a dor é sinal de alerta?
Nem toda dor após uma corrida é motivo de pânico. A dor muscular de adaptação costuma desaparecer em 24 a 48 horas, é o corpo se ajustando ao esforço. O problema é outro.
“Uma dor localizada que dura mais de dois ou três dias, principalmente no osso, na articulação ou no tendão, e que piora mesmo com redução da atividade, merece atenção”, alerta Hernandez. “Pode ser o início de uma sobrecarga estrutural.”
Se você está nesse cenário, o recado é direto: pare, avalie e procure um especialista antes de forçar mais um treino.
Os tênis de corrida mais procurados no Brasil agora
O mercado de tênis de corrida cresceu junto com o boom das corridas de rua no país. Para quem está pesquisando, aqui estão os modelos mais populares entre 2025 e 2026:
| Tênis | Destaque |
|---|---|
| Olympikus Corre 4 | Melhor custo-benefício, versátil para diferentes treinos |
| Nike Revolution 7 | Campeão de vendas, ótimo para iniciantes |
| Asics Novablast 4 | Equilíbrio entre conforto e performance |
| Fila Racer Speedzone | Leve, confortável e acessível |
| Asics Gel-Cumulus 27 | Premium com alto amortecimento |
| New Balance 1080v14 | Referência em conforto para treinos longos |
| Adidas Duramo SL2 | Boa entrada no universo Adidas |
| Fila KR6 Frame | Focado em treinos de ritmo e provas |
Mas atenção: nenhuma lista substitui uma avaliação do seu tipo de pisada. O melhor tênis é aquele que foi escolhido para você, não o mais caro, não o mais bonito, não o que o influenciador usa.
Antes de comprar, lembre disso
✔ Conheça sua pisada antes de decidir o modelo ✔ Troque o tênis a cada 500 a 800 km rodados (ou a cada 6 meses, para quem treina regularmente) ✔ Dor persistente no osso, tendão ou articulação nunca deve ser ignorada ✔ Busque indicação de especialistas, não apenas de estética ✔ Preço alto não garante compatibilidade com o seu pé
