Sesc Rio Preto recebe mostra itinerante da Bienal

Faz Escuro mas eu Canto, obra de Uyra Sodoma / Foto: Lisa Hermes

Nesta terça-feira, 3 de maio, será aberta a mostra itinerante da 34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto, no Sesc Rio Preto.

A mostra tem o objetivo de promover o deslocamento de recortes desse grande evento internacional paulistano para diversos territórios do Brasil e do exterior.

Nesta edição da Bienal, a concepção curatorial trouxe elementos – chamados “enunciados” – que não são obras de arte, mas que possuem histórias marcantes, capazes de sugerir leituras às obras dispostas ao seu redor.

No Sesc São José do Rio Preto, serão exibidas obras dos artistas Claude Cahun, Daiara Tukano, Gala Porras-Kim, Haris Epaminonda, Jungjin Lee, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Marinella Senatore, Melvin Moti, Uýra e Victor Anicet, são apresentados dois enunciados: A imagem gravada de Coatlicue; e Hiroshima mon amour, de Alain Resnais.

Obra de Marinella Senatore que integra a Itinerância da 34ª Bienal de São Paulo no Sesc Rio Preto. Crédito: Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

Mostra itinerante da Bienal

O primeiro enunciado se refere a estátua da deusa Caotlicue, que havia sido erguida na antiga capital asteca e que, em 1520, foi enterrada por hordas espanholas. A estátua foi descoberta e desenterrada em 1790, durante obras de construção de um canal de água, e havia uma ordem para que fosse levada para a Universidade Real como uma relíquia mesoamericana.

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Porém, as autoridades espanholas decidiram escondê-la novamente, agora sob o claustro da universidade, para que não fosse desencadeada uma revolução. Em 1804, o explorador alemão Alexander von Humboldt pediu para vê-la e desenhá-la, mas não completou a ilustração porque tornaram a enterrá-la. Humboldt, então, precisou usar a imaginação para terminar o desenho e, assim, inspirou este enunciado que é o poder da resistência da deusa da fertilidade.

O outro enunciado parte de Hiroshima mon amour, o clássico dirigido por Alain Resnais em 1959. Na sequência inicial do filme, a personagem Ela se refere ao que encontrou em Hiroshima quase quinze anos após o bombardeio que vitimou mais de 160 mil pessoas, mas poderia estar falando também dos campos de concentração nazistas, ou mesmo de museus de despojos da colonização.

A visitação é até 31 de julho de 2022, no Sesc Rio Preto.

Funcionamento: 3ª a 6ª das 13h às 21h30 | sábados, domingos e feriados das 10h às 18h30. Grátis