MySelfie propõe interação entre esculturas e público

Mostra MySelfie, no Sesi Rio Preto / Fotos: Divulgação

Até o dia 30 de julho, o Sesi Rio Preto recebe a exposição MySelfie, se Gigi Manfrinato com curadoria de Diana Vaz. Para MySelfie, Gigi criou 23 esculturas que apresentam personagens em tamanho real de diferentes épocas históricas posando para uma foto coletiva.

Nesta selfie estão presentes um senhor de cartola de 1880, um hippie da década de 1960, um jovem da geração Z e muitas outras figuras, brincando com a temporalidade e promovendo a discussão sobre o retrato fotográfico e sua transformação com o passar dos anos.

Com textos curtos sobre a história da fotografia e uma sintética linha do tempo, Gigi nos convida a participar de sua instalação disponibilizando roupas, adereços e também banquinhos estrategicamente posicionados que podem ser usados pelo público para fazer parte desta grande selfie.

MySelfie e a fotografia

Ao longo de sua carreira, a artista visual paulistana Gigi Manfrinato desenvolveu uma técnica de esculturas em tamanho real utilizando argila, molde de gesso e empapelamento com jornal, além de tecido, cimento e cola.

“Apresento de forma lúdica um recorte histórico de como as pessoas foram retratadas ao longo do tempo e a fotografia se desenvolveu. O público pode interagir com as obras, ressignificando o trabalho por participar dele e modificá-lo. Brinca-se, também, com o próprio conceito de representação, tanto da obra escultórica quanto das fotografias digitais”, conta a artista.

O fenômeno da selfie na contemporaneidade também é abordado na instalação. “Queremos trazer a discussão sobre a revolução tecnológica, que possibilitou o acesso da população aos smartphones e mudou o conceito de autorretrato”.

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A curadora Diana Vaz cita Susan Sontag: “Em seu livro Sobre Fotografia, o poder da imagem tem como propulsor a metáfora. A instalação propõe uma série de questionamentos: o que se quer representar? Para quem? Como a representação intencional impressa pelo fotografado / fotógrafo chega ao espectador? Já se discutia a diferente intencionalidade entre o fotógrafo, que realiza a foto, e o fotografado, o representado, mas, agora que uma única pessoa é o ator e o sujeito da ação, o que muda em nosso modo de interagir com a fotografia e suas representações?”.

Para além da dicotomia entre fotografia documental e artística, que foi fartamente discutida no século XX, propõe-se também problematizar os limites entre público e privado, cada vez mais diluídos na atualidade.

“O privado, ao se tornar público, torna-se também um item de consumo, como Barthes intuía em A Câmara Clara. E isso esbarra numa intenção de imprimir completude num momento de felicidade. Quantas são as selfies postadas em redes sociais que pretendem traduzir esse hiato de prazer? Ao tomar a realidade para si, transforma-se a realidade em uma sombra, um vir a ser nunca concretizado. Não à toa ressoa a máxima ‘a grama do vizinho é sempre mais verde’. As representações postadas incansavelmente nas redes criam essa ilusão e, quando a fotografia se esvazia de sentido, é só postar mais uma série com a rapidez de um clique”, conclui Gigi Manfrinato.

A visitação em São José do Rio Preto acontece de terça a sábado, das 9h às 20h, exceto feriados. Agendamento escolares e de grupos podem ser feitos de terça a sexta, das 9h às 11h e das 15h às 17h.

Serviço:

Mostra MySelfie

Espaço Galeria – Sesi São José do Rio Preto

Período expositivo: 3 de junho a 30 de julho de 2022

Horário de funcionamento: Terça a sábado, das 9h às 20h, exceto feriados. Agendamento escolares e de grupos podem ser feitos de terça a sexta, das 9h às 11h e das 15h às 17h.

Endereço: Av. Duque de Caxias, 4656 – Vl. Elvira – São José do Rio Preto/SP CEP:15061-001