Koho, no bairro Santa Cruz, oferece pratos típicos, receitas ancestrais e aquele tempero que atravessa gerações
Lançada em julho de 2012, “Gangnam Style”, música de PSY, ganhou o mundo, impulsionando um movimento de globalização da cultura sul-coreana iniciado ainda nos anos 1990: a Hallyu Wave (em português: Onda Coreana).
Anos depois, em maio de 2019, o filme “Parasita”, do diretor Bong Joon-ho, estreava no Festival de Cannes, conquistando a crítica, o público e o Oscar de melhor filme em 2020, dando mais um importante passo na estratégia de popularização do país.

Hallyu Wave
Ao atrair maior visibilidade, a onda sul-coreana rapidamente consolidou-se como fenômeno global, com o k-pop e o k-drama despertando a curiosidade do mundo para o k-beauty, a moda e a gastronomia.
Originada como uma estratégia de soft power do governo sul-coreano, a onda cultural transformou o pequeno país asiático em referência internacional de entretenimento e tendências.
Curiosidade
Diga aí. Quando Psy lançou “Gangnam Style”, você tinha alguma ideia do significado? Hoje, fãs de k-drama já têm a informação na ponta da língua. Gangnam é o distrito mais rico, moderno e desenvolvido de Seul, capital da Coreia do Sul.
Outros lugares que ganharam fama mundial com as produções audiovisuais sul-coreanas foram Itaewon, bairro cosmopolita e de vida noturna agitada, e Myeongdong, o paraíso das compras e da comida de rua.
Coreia do Sul no Brasil
A popularização dos k-dramas no Brasil ajudou a despertar por aqui o interesse pela gastronomia da Coreia do Sul. Produções como “Bon Appetit, Vossa Majestade”, Itaewon Class, Dinner Mate e outras séries ambientadas entre mesas fartas e garrafas de soju transfomaram pratos típicos em protagonistas.
Entre uma e outra reviravolta das séries, aparecem receitas tradicionais sempre acompanhadas do soju, bebida destilada à base de arroz, cevada ou trigo que é símbolo da cultura sul-coreana.

Primeira vez
Minha primeira experiência com a gastronomia sul-coreana foi justamente o soju. Depois veio o tteokbokki, um dos ícones da comida de rua ao lado do kimchi. Picante, marcante e cheio de personalidade, o prato traduz bem a força dessa culinária.
Embora cada vez mais popular no Brasil, a cultura sul-coreana ainda se concentra nos grandes centros, como São Paulo, especialmente no bairro do Bom Retiro, além de Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre.
Interior
No interior, a onda sul-coreana também tem espaço. Em São José do Rio Preto são frequentes os encontros de fãs do grupo musical BTS e as oficinas de skincare. E em outubro de 2025, a cidade teve oportunidade de viver um final de semana imersivo com a realização da primeira edição da K-Fest Rio Preto, produzida pelo Hi-Mundim.
Aproveitando-se da curiosidade gerada pelas produção audiovisuais, a gastronomia sul-coreana seguiu o mesmo caminho na cidade, com um endereço dedicado aos sabores da Coreia do Sul: o KoHo – Korean House. Um sinal claro de que essa conexão cultural não é tendência passageira, mas um movimento que veio para ficar.
KoHo
Nascido na Coreia do Sul e morador de Rio Preto desde 1998, Joon Yun Lee escolheu o bairro Santa Cruz para abrir o Korean House, primeiro restaurante de culinária sul-coreana da cidade.
Com o tempo, os clientes e o próprio Joon adotaram a versão abreviada do nome: KoHo (lê-se “Côrrô”).
Inaugurado em 3 de maio de 2024, o KoHo funciona de quarta a domingo, das 18h30 às 22h, servindo sete pratos fixos que se desdobram em 11 opções.
No cardápio estão clássicos como tteokbokki ou topokki, kimchi, hot dog coreano, bibimbap e frango frito crocante, além de versões vegetarianas, como lámen vegano e tteokbokki carbonara.
Joon prepara pessoalmente cada prato, com base nas receitas da mãe e ajustes próprios.


Mais pedidos
Entre os mais pedidos estão o hot dog coreano, servido na receita tradicional, e o frango marinado e frito duas vezes. O bibimbap, combinação de arroz, legumes e carne, também desperta curiosidade de quem quer provar sabores presentes no cotidiano da Coreia do Sul.
“Preparo o hot dog coreano com a receita básica, sem acréscimos, para manter a autenticidade e a qualidade”, diz Joon, que conta receber elogios até de pessoas que já viveram na Coreia do Sul.
“Outro destaque é o frango frito, que marino e frito duas vezes. Também temos o bibimbap, com arroz, legumes e carne, muito presente na cultura sul-coreana e que chama a atenção de quem quer conhecer nossa comida”, explica.
Da cozinha de casa ao restaurante
A proposta do KoHo nasceu da vivência de Joon na cidade. Ao perceber que não havia restaurante coreano na região, decidiu transformar a rotina da cozinha em negócio.
“Quando percebi essa ausência, resolvi unir minha paixão pela culinária à vontade de atender ao público daqui”, conta Joon, que tem filhos nascidos em Rio Preto e diz se sentir parte da cidade. “Costumo brincar com os clientes que sou mais rio-pretense do que sul-coreano.”
Joon veio para o Brasil ainda criança, tempo em que a cultura sul-coreana ainda era bastante desconhecida por aqui, e aprendeu a cozinhar cedo, por necessidade. O conhecimento gastronômico foi sendo construído dentro de casa.
“Desde os 19 anos moro sozinho e precisei aprender. A culinária sul-coreana aprendi com minha mãe, buscando receitas e ingredientes em São Paulo, numa época em que não existiam as facilidades de hoje. Trouxe esses ensinamentos para Rio Preto, cozinhando para mim, amigos e familiares, e assim desenvolvi meu gosto pela cozinha.”


Proposta exige organização constante
“O maior desafio é o acesso aos ingredientes básicos, como gochujang (pasta de pimenta fermentada com sabor complexo, feito de pimenta vermelha – gochugaru, arroz glutinoso, soja fermentada e sal) e topokki, que só encontro em São Paulo. Preciso ir à capital todos os meses para garantir o abastecimento. No início achei que seria mais simples, mas a distância pesa na logística.”
Experiência
Nós do Hi-Mundim já estivemos no KoHo. A casa tem proposta direta: comida feita na hora, ambiente informal e opções mais ou menos apimentadas.
Experimentamos o topokki, o frango frito e o hot dog coreano. Dificil escolher o melhor prato. Falta voltar lá para experimentar o prato mais pedido da casa, o bibimbap.
Ah! E para quem opta pelos apimentados, a dica é pedir um soju para acompanhar, a bebida tradicional combina com todo o cardápio.
Reservas não são necessárias, exceto para eventos ou grupos maiores. No dia a dia, o atendimento é por ordem de chegada.


Conheça o cardápio
Entradas / Lanches / Porções
- Hot Dog Coreano – Salsicha e queijo no palito, envolvidos em massa especial e fritos até ficarem crocantes; clássico da comida de rua coreana.
- Frango Frito Coreano – Pedaços de frango desossado, marinados no tempero coreano, empanados e fritos; acompanha molho gochujang levemente picante ou shoyu adocicado.
Pratos
- Bibimbap – Base de arroz oriental com legumes variados, bulgogui (carne marinada no shoyu), ovo frito e molho gochujang ou shoyu da casa.
- Bulgogui – Carne angus marinada em molho especial à base de shoyu, servida com arroz oriental e kimchi.
- Teobokki Tradicional – Massa de arroz refogada com legumes e molho à base de gochujang, prato popular na Coreia.
- Teobokki Carbonara – Versão sem picância, com massa de arroz ao molho branco, brócolis, muçarela e bacon.
- Kimchi Bokumbap – Arroz oriental salteado com kimchi, cebola e cebolinha; pode levar ovo frito.
- Ramyun Coreano – Macarrão coreano apimentado ao estilo da casa, com opção de picância média; acompanha porção pequena de kimchi.
Acompanhamentos
- Bap (Arroz) – Porção de arroz oriental.
- Kimchi – Conserva tradicional coreana de acelga com pimenta.
- Oi Mutchim (Sunomono) – Conserva de pepino com gergelim e tempero coreano.
Serviço
Endereço: R. Silva Jardim – Vila Santa Cruz, São José do Rio Preto
Horário de funcionamento: Quarta a domingo – das 18h30 às 22h
https://www.instagram.com/kohoriopreto
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