O seguro viagem protege não só durante o passeio, mas também antes do embarque, cobrindo cancelamentos e evitando prejuízos
Quem está com viagem marcada para a Argentina, além de arrumar a mala com eficiência, precisa ficar atento: já está em vigor uma nova regra que exige a apresentação de um seguro de saúde ou seguro viagem com cobertura médica válida durante todo o período da estadia. A medida vale para todos os estrangeiros, sem exceção — sem seguro, não entra no país.
De acordo com o governo argentino, o objetivo da medida é proteger o sistema público de saúde, que vinha arcando com os custos de atendimentos a turistas sem qualquer contrapartida financeira. Agora, a obrigatoriedade do seguro se torna uma condição de entrada, como já acontece em outros destinos internacionais.
A nova exigência surge justamente quando o fluxo de brasileiros rumo à Argentina bate recordes. Só Bariloche, principal destino de inverno do país, espera até 80 mil turistas brasileiros na temporada de 2025, segundo dados do Emprotur, órgão oficial de promoção turística. O aumento da malha aérea entre Brasil e Argentina, com mais voos diretos e melhor conectividade, também contribui para o crescimento do turismo.
Segundo Hugo Reichenbach, sócio e diretor de operações da Real Seguro Viagem, a obrigatoriedade faz sentido e traz mais segurança para os viajantes.
“O seguro viagem deixa de ser apenas uma recomendação e passa a ser uma exigência formal. Mais do que isso, é uma proteção real. A gente planeja passagens, hotel, roteiro… mas ninguém espera ficar doente ou sofrer um acidente. Quando acontece, faz toda a diferença estar amparado”, explica.
Os custos com saúde fora do Brasil são altos. Um atendimento por fratura pode custar mais de US$ 5 mil (cerca de R$ 27 mil) em clínicas privadas na Argentina. Já uma evacuação médica de Bariloche até Buenos Aires pode chegar a US$ 20 mil.
Em contrapartida, um seguro viagem com cobertura médica custa, em média, entre R$ 10 e R$ 20 por dia, dependendo da idade e do plano escolhido. Ele cobre desde consultas e internações até repatriação, extravio de bagagem e assistência jurídica.
O que muda para quem viaja?
Além do seguro viagem obrigatório, seguem valendo as outras exigências de entrada na Argentina:
- Documento válido: RG em bom estado (emitido há menos de 10 anos) ou passaporte.
- Passagem de volta.
- Comprovante de hospedagem ou carta-convite.
- Comprovante de recursos financeiros para o período da viagem.
- Certidão de antecedentes criminais (exigida em casos específicos de residência temporária, não para turistas).
- Seguro Carta Verde, no caso de quem viaja dirigindo, seja de carro, moto ou motorhome.
- Bariloche e a alta do turismo de inverno
A temporada de neve, que vai de junho a agosto, deve bater recordes este ano. Além de Bariloche, destinos como Mendoza, Ushuaia e San Martín de Los Andes também registram alta procura dos brasileiros.
“A Argentina continua sendo um dos destinos mais baratos para quem quer curtir neve na América do Sul. E agora, além de aproveitar as paisagens, a gastronomia e os esportes de inverno, o turista brasileiro precisa incluir na mala o seguro, que virou passaporte obrigatório”, reforça Hugo.
Se antes o seguro era item de prudência, agora virou item de imigração. E o lado bom é que, além de caber no bolso, ele cabe na tranquilidade de quem não quer transformar a viagem dos sonhos em dor de cabeça.
Importância do seguro viagem
Apesar de muitas pessoas associarem o seguro apenas a emergências médicas no exterior, sua contratação antecipada pode ser decisiva para garantir o reembolso em situações como problemas de saúde, acidentes ou imprevistos familiares antes mesmo do embarque.
“É comum pensar que o seguro só entra em ação durante a viagem, mas ele também pode proteger o investimento antes mesmo do embarque. Quem contrata com antecedência está amparado caso precise cancelar a viagem por motivos previstos em contrato”, explica Claudia Brito, Diretora Comercial e Marketing da Coris.
Além da cobertura médica, o seguro viagem pode incluir proteção contra cancelamento de voos, interrupções da viagem por questões de saúde, perda de bagagem, despesas jurídicas e até repatriação.
“O seguro é, acima de tudo, um investimento em previsibilidade. Com o dólar instável, proteger-se contra despesas inesperadas é uma decisão de inteligência financeira”, completa a executiva.
O que poucos brasileiros consideram é que, sem seguro, qualquer imprevisto será arcado do próprio bolso, geralmente em moeda estrangeira e com custos elevados.
“Muitos turistas se concentram em garantir passagem, ingresso e hotel, mas esquecem que uma intercorrência simples pode comprometer todo o investimento da viagem. A contratação antecipada é a única forma de garantir a cobertura completa, inclusive para os imprevistos que podem surgir antes do embarque”, finaliza Claudia.
